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Área econômica do Governo quer retomar diálogo

O deputado Carlos Melles (DEM-MG), presidente da Frente Parlamentar do Café na Câmara dos Deputados, disse ontem à noite que está mais animado, depois de telefonema do ministro da Fazenda, Guido Mantega, no início desta semana. Há cerca de sete dias, Melles mostrava-se desalentado, mesmo com relativa bem-sucedida audiência pública na Câmara por ele convocada, para tratar da questão do endividamento dos cafeicultores.

Na ocasião, o deputado chegou a dizer que "o governo Lula não gosta do café" e que o governo não queria ser convencido da demanda do setor para sair da crise. Agora, Melles afirma que o ministro da Fazenda pelo menos "reabriu a oportunidade do diálogo". Mantega se comprometeu a se reunir oportunamente com as lideranças do setor, sem fixar data. O ministro da Agricultura, Reinhold Stephanes, "certamente será chamado para a conversa". Segundo Melles, Stephanes "tem se movimentado, ouvindo interlocutores".

O deputado sugeriu até que o governo enviasse uma equipe de jornalistas de todos os meios de comunicação, para percorrer as regiões produtoras, "trazendo a palavra dos produtores".

O presidente da Frente Parlamentar do café reproduziu alguns trechos da conversa com Mantega. Questionado sobre as medidas para o setor, Melles teria dito que "os cafeicultores não estão satisfeitos". Mantega comentou sobre o
 
e safra 2009/10, cujo volume de recursos é "extraordinário", respondeu o deputado, mas é preciso melhorar "a rede de proteção".

Durante o telefonema, Melles explicou rapidamente quais são os principais pontos reivindicados pelos cafeicultores. De acordo com ele, os produtores querem converter todas as dívidas (inclusive com recursos livres), vencidas ou a vencer, em sacas de café ou em Cédula de Produto Rural (CPR), por 20 anos, que é o tempo economicamente ativo do pé de café, ao preço de R$ 320,00 a saca.

Como último recurso, os produtores aceitariam a troca do endividamento pela erradicação dos pés de café. "O produtor aduba a lavoura todos os anos, mas não vê o lucro. A erradicação seria a única saída digna para o cafeicultor, em troca do perdão das dívidas", disse Melles.

Mantega teria argumentado que o governo reajustou o preço mínima de garantia do café. "Mas o valor de R$ 261,69 ficou muito abaixo do custo de produção e não serviu para balizar os preços para cima", retrucou Melles. De acordo com ele, o setor pede preço de garantia de R$ 300,00 a saca.

Melles observou que Mantega se mostrou "compreensivo". "Ele gosta de ouvir", disse, mas teria ressaltado que a cafeicultura deve procurar alcançar sustentabilidade e não afastou a possibilidade de formação de estoque regulador do produto.